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O Erro Técnico Mais Comum em Contratos Digitais: Tratar uma Selfie como Prova de Autoria Inequívoca

  • Priscila Frazão
  • 9 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

A popularização da biometria facial como forma de autenticação trouxe a falsa sensação de que uma selfie anexada ao processo equivale à comprovação inequívoca da identidade do contratante. Essa interpretação é perigosa - e equivocada. A biometria facial verdadeira envolve padrões técnicos rigorosos, certificações internacionais e dados numéricos que ultrapassam a mera captura de imagem. Quando a instituição apresenta apenas uma imagem, sem metadados, sem contexto e sem cadeia de custódia, estamos diante de um indício frágil, incapaz de confirmar autoria.


No ambiente pericial, uma selfie precisa atender a requisitos específicos: deve ser o arquivo original, possuir dados de captura, conter parâmetros da câmera, horário real e registro bruto da imagem. Qualquer conversão - especialmente quando o arquivo aparece dentro de um PDF montado ou impresso virtualmente - compromete completamente sua autenticidade. Ainda assim, é comum ver processos em que seis, oito ou mais fotos são agrupadas artificialmente, sem qualquer vínculo verificável com o mesmo momento da contratação.


O ponto central é que a biometria facial depende de comparação com bases oficiais reconhecidas por padrões ISO. Se a instituição financeira não informa qual sistema utilizou, qual algoritmo aplicou ou como validou a vivacidade da imagem, não há como garantir que a selfie tenha sido capturada para aquele contrato. A ausência de tais dados transforma uma suposta “prova de identidade” em mera imagem ilustrativa, sem peso técnico.


Quando isso ocorre, abre-se um flanco jurídico importante: não se consegue demonstrar autoria e voluntariedade - elementos essenciais para validar qualquer manifestação de vontade. Do ponto de vista técnico, a fragilidade do material apresentado impede a confirmação da origem da imagem e, consequentemente, enfraquece qualquer alegação de que a captura foi realizada no contexto daquele contrato. Advogados atentos a essas nuances conseguem reverter cenários desfavoráveis com base em falhas técnicas ignoradas pela maioria.


Diante desse cenário, alguns cuidados simples podem fortalecer significativamente a argumentação:


• Requeira o envio da selfie no arquivo original, em formato JPEG ou equivalente, nunca dentro de PDF.

• Pergunte qual sistema de biometria foi adotado, se possui certificação ISO e como ocorreu a detecção de vivacidade.


Precisa identificar inconsistências técnicas em biometria facial no seu processo? Envie uma mensagem.


 
 
 

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